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Sobre o amor e a alma

Psique era uma bela princesa. Filha mais nova de um rei já idoso. Sua concepção é descrita através de uma pequena gota vital, última gota noturna que fecunda a terra. Dessa fecundação tardia nasce Psique. Psique tão bela que faz os mortais esquecer-se de Afrodite e de seus templos. A coisa torna-se tão séria que Afrodite pede ajuda a seu filho Eros. Ela quer que seu filho provoque a morte de Psique. Tal não acontece..



SO amor não consegue matar a alma, pelo contrário o amor fere-se com uma de suas setas e fica perdidamente apaixonado por Psique e em vez de matá-la, a esconde. Leva-a para morar em um lindo palácio estranhamente habitado. Ele a visita à noite. Antes do amanhecer parte deixando-a sozinha durante o dia. Esse palácio é habitado por vozes. Vozes que satisfazem todos os seus desejos. Desejos pensados até. Nada lhe é negado, tudo lhe é dado, a não ser o de ver seu amado. É terminantemente proibida por ele. Por isso ele a deixa sozinha durante o dia.

Essa vida de sonhos continua até a realidade interferir. Essa realidade interfere através da família. Suas irmãs tristes com sua pseudomorte, enlutadas choram por ela. Psique pede a Eros que a deixe vê-las. Eros a contragosto consente. As irmãs a visitam em sua moradia. São tomadas pela inveja e articulam um plano para destruir a felicidade da irmã. O plano é incitar o medo e a curiosidade no coração de Psique. Através da dúvida elas começam a destruir sua felicidade de sonhos. Até que numa noite Psique resolve ver com quem dormia. Quando vê Eros fere-se em sua seta e fica perdidamente apaixonada. Eros cumprindo o prometido a abandona.

Ela fica desesperada. Tenta buscá-lo. Não consegue e fica mais desesperada ainda. Tentando se matar, fracassa. A natureza a protege.

Vinga-se de suas irmãs. A vingança não a conforta. Continua triste. Percebe que o que a deixaria feliz seria a relação com Eros. Vai então a busca dele. Na sua busca resolve ir até a casa da mãe de Eros, Afrodite, que cuida dele doente. Afrodite também a busca. Seu intuito é destruí-la. Dá-lhe várias tarefas extremamente perigosas e trabalhosas. Uma é ligada ao trabalho da colheita. A segunda a de tecer. A terceira a da irrigação. A quarta a do resgate, onde tem que se contatar com outros seres, interagir.

Psique fica em desespero e é novamente ajudada. Nas três primeiras por seres vivos, animais e plantas, na quarta por uma construção humana; uma torre de onde fez mais uma tentativa de se matar.

Eros finalmente se cura, sai de perto de sua mãe. Pede a interferência de Zeus, o pai, para acalmar sua mãe e se casar com Psique. Zeus reúne todos os deuses, convence Afrodite, permite o casamento e transforma Psique em imortal.


Psique amadurece no amor. Antes de conhecer Eros era admirada. O narcisismo e a paixão andam juntos, onde tudo parece muito fácil. E estava sempre só, com suas próprias vozes, vivendo uma vida de sonhos. Todos os desejos lhe são satisfeitos. Apenas um não, que é o de ver seu amado. Esse é o processo de idealização do apaixonamento. Todos os sentidos parecem plenamente satisfeitos, a ansiedade surgindo na ausência. A vida ganha tons intensos e os amantes vivem num mundo especial. Há uma grande mudança da percepção. O ser amado é idealizado. Não é visto claramente. Como Psique não viu Eros. Quando o viu Eros foge. Quantas vezes há separação quando a paixão e a idealização acabam?

Várias vezes ela não agüenta a frustração e tenta se matar. Não consegue. É ajudada pela vida, nas suas diversas representações da natureza. Representada, a natureza passa a fazer parte da psique/alma. Assim como a cultura, quando ela cumpre suas primeiras tarefas diretamente ligadas à natureza. Na última tarefa ela desce aos infernos e percebe a existência da morte, da

castração. Descobre que quando lida com a frustração torna-se mais forte. É o nascimento do amor.

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