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Energia e Couraça



Tudo é feito de energia inclusive nós


e vivemos mergulhados num mar de energia.

Energia, em expressão usual, pode significar força moral. No contexto psicanalítico, investimento, acometimento. Na física propriedade que possibilita um determinado sistema realizar trabalho, movimento. Pode ser transmitida de um ponto a outro do espaço, se originar da transformação de parte da massa. Em forma potencial num corpo, ou num sistema de corpos, pode vir a realizar trabalho a partir de perturbação do sistema.

Energia psíquica, investimento, radiante que é, transmite-se de um ponto a outro no espaço, ao encontro de reação possível, ambiental. Reação, que pode ser de potencialização, decremento, transformação. Em nossa busca de semelhanças e diferenças, fluxo energético suficiente para que venhamos de encontro a espelhos, lentes ou sensações.

O fluxo energético aprisionado produz semelhanças. Semelhanças, uma forma como podem ser lidos os sofrimentos. Sofrimentos que se apresentam como igualdades. O sofrimento pode ser descrito, quantificado, catalogado como igual. O fluxo energético impedido se manifesta em sofrimento, se transforma em couraça.

O fluxo energético, fluido, se presta à multiplicidade, ao ser único, ao ser centelha divina, a felicidade, ou seja, ao bem estar mental.


Segundo o Guida Alla Salute Mentale do Departamento de Saúde Mental da Unidade Sanitária Local Roma 11 (aqui traduzido) “a condição de bem estar mental é aquela em que se vive quando existe um bom nível na satisfação das necessidades, junto com uma qualidade de vida satisfatória”. A condição de mal-estar mental é aquela em que se vive quando se percebe um estado de sofrimento, ligado a dificuldades de várias naturezas (nos afetos, no trabalho, etc.) que de algum modo se apresentam na vida. Tensão, frustração, agressividade ou tristeza caracterizam esta condição. A condição de transtorno (ou doença) mental é aquela em que se vive quando não se encontra solução para o sofrimento que lhe é imposto pela condição de mal-estar, ou então quando esta atinge níveis muito elevados de intensidade. Passa-se do mal-estar ao transtorno quando o sofrimento prolongado ou intenso for acompanhado por alterações mentais ou do comportamento. O sofrimento se torna clínico, isto é, surgem sintomas psiquiátricos específicos: delírios, alucinações, obsessões etc. A condição de sofrimento psíquico pode ser claramente percebida por quem nela está e palavras que usamos para descrevê-la são: “aperto no peito, confusão na cabeça, beco sem saída”, entre outras, mas todas as expressões têm em comum a idéia de aprisionamento, de contenção, de dor, de dificuldade de movimento. Referências que aludem a fluxos energéticos estagnados, a dificuldade de movimento ou a movimentos desesperados.

O bem estar psíquico, pelo contrário, é ligado a movimentos amplos, em equilíbrio e harmonia. Expressões usadas para descrevê-lo são: “estou nas nuvens, estou leve”, dando dimensão de ampla perspectiva, onde tudo pode fluir, movimentos energéticos.

Somos seres em relação e podemos dizer que somos contadores e fazedores de histórias uns para os outros. Podemos escolher a princípio contar histórias felizes ou contar histórias que levem à raiva, ao choro, mas que também levem as outras histórias, como podemos escolher contar histórias que não levem a história nenhuma. Ou escolher contar histórias que destruam todas as outras histórias. Podemos também nos perder e contar histórias sem fundamento. Ou ainda não contar histórias, deixar que os outros as contém por nós.

E às vezes não escolhemos contar histórias e apenas repetimos as histórias que nos mandam contar. E quando estamos perdidos não sabemos nem em que história estamos, quanto mais contar histórias, então, para nós, é como se nosso fluxo energético não existisse, nem mesmo sabemos onde está.

Se contarmos sempre a mesma história o nosso fluxo energético está como que empedrado, parado. Não sei se vocês vão se recordar de já ter vivido essa sensação de uma tremenda falta de assunto.

Se deixarmos que outros contem nossas histórias nós nem poderíamos dar a devida importância a elas. É como se o outro soubesse sempre melhor contá-las. Ou ainda podemos contar histórias que outros contaram e dizer que são nossas, ou contar uma triste história e dizer que a história é do outro, ou seja, as combinações são inúmeras e o mais importante é a energia que mobilizamos, ou melhor, que nos mobiliza ao contarmos nossas histórias possibilita o fluxo da história. Podem existir interrupções, impedimentos, vazamentos, explosões, bloqueios no fluxo energético. O fluxo energético é a alma dessa moeda, desse contador de histórias. Se ele não quiser contá-las elas não serão contadas por ele, serão contadas por um representante ideativo dele ou por um fantasmático. Ele também investe no público ouvinte e até digo que esse ou esses ouvintes podem mudar o rumo de sua história ou que ele inventa histórias para eles ou por eles. Ele precisa investir (amar), para criar histórias, assim como ele precisa partir de alguma, identificar-se (espelho, narcisismo) e com isso reunir representações, ligá-las dando a elas um desenho.

O que não podemos é deixar a história parar, a energia parar em nós senão nosso corpo contrai cria couraças e ficamos sem a possibilidade de um final feliz.


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