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Abraço, autossuficiência e mais valia


Uma mulher independente, corajosa, jovem, uma mulher bonita, bem-sucedida disse, seguramente, não temer o isolamento da pandemia completando com um “fico bem”, querendo que se pense “estou ótima”. Lembrou o adolescente não convidado para a festa que queria, dá aquela sensação de insegurança quando a dona da festa passa por perto. Olhar no infinito, cara de jogador de pôquer, querendo que a dona da festa e os demais pensem um “não é que não ligou mesmo?”. Vocês, filhotes do ridículo, insignificantes não vão ver meu coração partido, meu peito fechado de angústia, minha garganta apertada, ninguém terá pena de mim.

Poucos meses depois de ter dito isso, de ter ficado em casa o tempo, se cercado de cuidados internou-se num hospital. Recebeu alta logo depois. Clinicamente estava ótima. Seu diagnóstico: depressão. Muito magra, olhos fundos, triste e dolorida, procurou psicoterapia.

Por que tanto pavor e dor numa mulher forte, segura? Tentou falar com pessoas queridas, com familiares, as pessoas falavam com ela, aos poucos foi deixando de falar, de procurar, só respondia mensagens da família, assim mesmo burocraticamente, dizia a todos que estava com muito trabalho. Era acreditada por ser essa uma realidade de sua vida, sempre muito trabalho, lazer apenas o necessário para não ser considerada muito chata, se pudesse falaria do seu trabalho o tempo todo, gostaria que todos percebessem o quanto era necessária.

A mulher experiente e potente encontrou a menina triste, esquecida, sem convite para aquela festa tão bacana, divertida. Seu corpo desmentindo para ela mesma o quanto precisava das pessoas, de rir, de falar de nada, de ver pessoas dançando, rindo, divertindo-se e ela ali também, incluída, fazendo parte. Sua alma adoecida, adoeceu seu corpo, que ficou fraco, frágil, ainda sem coragem de dizer que precisava de outros, de abraços. Ser reconhecida no trabalho, pelas pessoas não era suficiente, precisava do toque, do calor de outros corpos.

Temos uma demonstração de toda uma rede de saberes psicológicos, psicanalíticos, pesquisas inteiras desfilam por nós, um fio do significante, inconsciente estruturado como linguagem, cerne biológico encolhido, contração, simpaticotonia. Importante clarificar e pontuar para futuras buscas fáceis de achar. Só dar um “google”.

Na infância, abraços e aconchego contribuem para o desenvolvimento da cognição, do cérebro, das emoções e das relações sociais. São, também, essenciais para estabelecer a capacidade de regulação emocional ao longo da vida. Na adolescência são importantes da mesma forma. O adolescente, ser em mutação, precisa ser abraçado sem confusão de linguagem. Um abraço sem conotação sexual não desejada para que possa, dentre outras buscas, achar a conexão sexual importante do momento. A adolescência funciona como um alicerce para a vida social e sexual, por isso é tão importante o aconchego do abraço para ajudar a crescer com uma maior segurança afetiva.

Nada melhor que um abraço afetuoso dado por uma pessoa da confiança do adolescente para simular o ambiente intrauterino ajudar na produção de oxitocina, o hormônio do amor e na diminuição do cortisol, o hormônio do estresse. Outro achado importante das pesquisas é que o nível da oxitocina que aumenta significativamente em adolescentes quando abraçados, continua a aumentar depois do abraço e igualmente quando falam ao telefone com alguém que confiam.

Esse é um sinal de que o adolescente inicia o comando de sua vida social, internalizando símbolos de convivências desse mundo simbólico sendo capazes de obter satisfação com pessoas que estão distantes. O processo de satisfação com o mundo simbólico, a introjeção e internalização desse novo período afetivo e sua consequente inserção configura a coreografia dos gestos e boas maneiras que geram a boa e prazerosa convivência social.

Através de pesquisas como essa chegamos à conclusão de que o ato de se abraçar funciona como um substituto, um estepe do ato físico, contribuindo para a diminuição da sensação de solidão e a insegurança que a solidão gera. Praticando o “abraçar-se” autorizamos o autocuidado, aumentando a autoestima e, nos conectando ao nosso cerne biológico.


O exercício

Sentar-se de forma ereta numa cadeira. Manter os pés no chão. Na inspiração colar o cotovelo de um dos braços no septo intermuscular medial do outro braço. Na expiração soltar o movimento expirando lentamente. Alternar o braço.

Tempo: 5 minutos diariamente enquanto durar a sensação de solidão. Fazendo corretamente o exercício, a sensação de solidão melhora após 6 dias.

Trabalha diafragma, pulmões, a glândula timo e ajuda a ativar o parassimpático.


Para quem quiser saber mais sobre essa pesquisa: Voice problems of children

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