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A mente humana


Paraíso é um termo persa, que por sua vez, deu origem à palavra grega parádeisos. Essa palavra sugere a idéia de um jardim rodeado de muralhas que o protegem contra os ventos do deserto. Essa imagem da felicidade pode ter surgido da imaginação dos homens que viviam em regiões muito secas. Para eles, a morada da felicidade situava-se num local abundante de água, flores e vegetação.

Depois de sua representação sob a forma de um jardim, o paraíso foi associado à idéia de uma cidade ideal, a Jerusalém celeste. Essa nova representação apareceu no Apocalipse e é uma mensagem provavelmente destinada às vítimas da perseguição de Domiciniano, no final do século I. (Jean Delumeau)

A vida seria eterna, os homens reconciliados e felizes, todas as arestas, violências e perigos aparados e colocados fora desse jardim/cidade. Cristo vencedor do mal e da morte nos conduziria a esse lugar.

A vida moderna, imersa nos aparatos tecnológicos, esmaece a imagem de um lugar físico, concreto, para o paraíso, como os lugares descritos na Bíblia. O paraíso na modernidade, efêmero, é cada vez mais colocado dentro de nós. Assim nos tornamos capazes de construí-lo individualmente, em relações privadas, de diversas formas: com drogas, no lazer, em experiências místicas, utilizando técnicas psicoterapêuticas, etc.

Só que esse individualismo efêmero nos remete à ilusão. Ao experimentarmos vislumbres do paraíso, ao termos acenos de que realmente existe, ficamos instados a descobrir como mantê-lo. Como apreender uma vivência efêmera? Como, encontrado o paraíso, não perdê-lo?

E pior, se não conseguirmos dele nos apropriar, apreendendo-o, caímos no vazio. O vazio é um abismo sem fim digno de todas as conotações infernais descritas na Bíblia. Aprisionados por essa díade do paraíso ou de sua imensa falta, o vazio, nos tornamos

dependentes de uma ilusão. Uma ilusão que pode vir através de uma substância, de uma pessoa, de uma experiência. O mais irônico dessa prisão é que tanto esse paraíso quanto sua falta só existe dentro de nós. Ao depender criamos e cultivamos a falta daquilo do que dependemos. O artifício, a manufatura, efêmera e individual de paraísos e de suas faltas nos aproxima da onipotência. E quanto mais perto da onipotência mais longe estamos da felicidade. A felicidade requer entrega a nós e ao outro, dizia Reich. É nessa fruição, na construção solidária do bem querer, que colecionamos momentos felizes.

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